domingo, 15 de março de 2009

REUNIÃO MEDIÚNICA - EQUIPES/TIPOS

Já foi dito em “O Livro dos Espíritos”(1) que o homem se desenvolve
através do contato social e que no isolamento se embrutece e estiola.
A mediunidade sendo como que um sentido do homem é natural que se
manifeste no meio social a espraiar-se entre as criaturas de modo a
cumprir o papel transformador que lhe compete.
Porque nem todos somos capazes de nos interessar, ao mesmo tempo por
muitos assuntos, é natural que os que pela mediunidade se interessam,
reúnam-se, identifiquem-se em programas específicos de trabalho que
constituem objetivos dos Centros Espíritas e mais particularmente dos
grupos mediúnicos. É a vivência do ensino de Jesus: “quando duas ou
mais pessoas estiverem presentes em meu nome eu estarei entre elas”.
A importância das reuniões mediúnicas, que têm como meta última a
regeneração moral da Humanidade, no que se confunde com os ojbetivos
da própria Doutrina Espírita, está a exigir equipes cada vez mais
adestradas e conscientes. E isto se dará efetivamente quando todos:
· Possuírem um único desejo: o de se instruírem e melhorarem;
· Compreenderem os objetivos e aderirem aos mesmos, ou seja:
perfeita comunhão de vistas e de sentimentos;
· Se capacitarem, continuamente, para o desempenho da função que
executam;
· Se pautarem exclusivamente nos seus papéis enquanto outros não lhe
forem confiados;
· Cooperarem reciprocamente uns com os outros;
· Se estimarem como verdadeiros irmãos;
· Se manterem permanentemente motivados e sintonizados com o comando
superior que emana da espiritualidade.
Não esquecer que “uma reunião é um ser coletivo cujas propriedades
são as de seus membros e formam como que um feixe”(2).
Basicamente, as funções existentes numa reunião mediúnica, conforme a
feição atual do movimento espírita, são:
MÉDIUM - Intérprete dos Espíritos e instrumento de que se utilizam
para se manifestarem aos homens;
DOUTRINADOR - Terapeuta do esclarecimento e da consolação; pessoa que
atende os Espíritos, que se comunicam;
DIRIGENTE - O coordenador do grupo; a pessoa que dirige as reuniões e
que, não raro, também atende os Espíritos;
ASSISTENTE - Trata-se do auxiliar. Pessoa que participa da reunião na
condição de fornecedor de energias vitais e pensamentos elevados, o
que, aliás, é obrigação de todos. Muitas vezes entre os assistentes
se revelam preciosas mediunidades a cultivar, seja para o exercício
da psicofonia, psicografia, vidência, etc, seja para o trabalho de
doutrinação.
Caberia colocar-se a função de passista. Todavia o passe se integra
tão intimamente com a doutrinação que normalmente é aplicado pelos
doutrinadores e dirigentes.
A nossa abordagem sobre as funcões se centrará nos seguintes
aspectos:
· - O porquê da função na vida de cada um;
· - As qualidades requeridas;
· - As atribuições
O DIRIGENTE E O DOUTRINADOR
No final desta parte apresentamos resumos de textos de obras de
reconhecido valor que nos mostram as qualidades requeridas para o
exercício das funções Dirigente e Doutrinador.
É bom deixar claro que todas as pessoas que compõem o grupo, sejam
dirigentes, doutrinadores, médiuns ou assistentes têm o compromisso
de trabalharem pelo próprio crescimento moral e pelo desenvolvimento
das qualidades afetivas, porque somente assim atrairemos os Bons
Espíritos às nossas reuniões. Ao colocarmos o rol de qualidades que
devem possuir esses companheiros encarregados da doutrinação, de modo
algum estamos colocando-os à parte como seres superiores aos demais,
nem afirmando(por decreto) que eles são ou devem ser as pessoas mais
evoluídas da Equipe. Quantas vezes na discrição de um trabalho
silencioso de assistente e na regularidade de uma expressão mediúnica
discreta não estará escondido uma alma de escol.
Aliás, uma equipe mediúnica para cumprir eficientemente o seu papel,
deve abstrair-se dessas avaliações personalistas, das competições
silenciosas ou não, permitindo, assim, que cresça a fraternidade e o
sentido irrestrito da cooperação.
Vejamos o dirigente e os doutrinadores como companheiros que, por
necessidades evolutivas, não raro de natureza provacional, estão
investidos de tais responsabilidades no presente momento.
As mesmas obras consultadas, permite-nos alinhar as seguintes
atribuições para o dirigente:
· - Oração inicial e final;
· - O comando da palavra;
· - Apelos à cooperação mental, sempre que necessário;
· - Solicitar instruções dos mentores;
· - Controlar as situações mais difíceis;
· - Escolher os doutrinadores que lhe auxiliarão;
· - Orientação geral ao grupo;
· - Analisar, com o grupo, as passividades;
· - Promover o estudo;
· - Participar das atividades do Centro e estimular todos para esta
participação.
QUALIDADES REQUERIDAS PARA O DIRIGENTE E OS DOUTRINADORES
DESOBSESSÃO (André Luiz)
CP. 13 - DIRIGENTE

O dirigente das tarefas de desobsessão não pode esquecer que a
Espiritualidade Superior espera dele o apoio fundamental da obra.
Direção e discernimento.
Bondade e energia.
Certo, não se lhe exigirão qualidades superiores à do homem comum; no
entanto, o orientador da assistência aos desencarnados sofredores
precisa compreender que as suas funcões diante dos médiuns e
frequentadores do grupo, são semelhantes às de um pai de família, no
instituto doméstico.
Autoridade fundamentada no exemplo;
Hábito de estudo e oração;
Dignidade e respeito para com todos;
Afeição sem privilégios;
Brandura e firmeza;
Sinceridade e entendimento.
NOS DOMÍNIOS DA MEDIUNIDADE
CP. 3 - EQUIPAGEM MEDIÚNICA

- Conheçamos a nossa equipagem mediúnica—disse o orientador. E,
detendo-se ao pé do companheiro encarnado que regia os trabalhos,
apresentou:
- Este é o nosso irmão Raul Silva, que dirige o núcleo com sincera
devoção à fraternidade. Correto no desempenho dos seus deveres e
ardoroso na fé, consegue equilibrar o grupo na onda de compreensão e
boa-vontade que lhe é característica. Pelo amor com que se desincumbe
da tarefa, é instrumento fiel dos benfeitores desencarnados, que lhe
identificam na mente um espelho cristalino, retratando-lhes as
instruções.
SESSÕES PRÁTICAS E DOUTRINÁRIAS DO ESPIRITISMO (Aurélio A. Valente)
A escolha do dirigente dos trabalhos deve recair naquele que reunir
três condições essenciais: elevação moral, preparo intelectual e
conhecimento da Doutrina.
A elevação moral é atributo indispensável ao presidente; sem ela,
impossível lhe será impor-se aos Espíritos, pois que estes, lendo-lhe
os pensamentos impuros, não lhe reconhecerão qualquer ascendente.
O preparo intelectual que preconizamos não é a cultura profunda, não
é a vastidão do saber, aureolado por um diploma, porém, um
conhecimento prático dos homens, uma inteligência desenvolvida na
análise das coisas, uma forte dose de bom senso.
DIÁLOGO COM AS SOMBRAS
Em suma, o doutrinador não pode deixar de dispor de cinco qualidades,
ou aptidões básicas:
· - Formação doutrinária muito sólida, com apoio insubstituível nos
livros da Codificação Kardequiana;
· - Familiaridade com o Evangelho de Jesus;
· - Autoridade Moral;
· - Fé;
· - Amor.
As demais são desejáveis, importantes também, mas não tão críticas:
· - Paciência;
· - Sensibilidade;
· - Tato;
· - Energia;
· - Vigilância;
· - Humildade;
· - Destemor;
· - Prudência .
OBSESSÃO / DESOBSESSÃO
O Dirigente
A figura que dirige é de muita importância para todo o grupo. Deve
ser uma pessoa que conheça profundamente a Doutrina Espírita e, mais
que isto, que viva os seus postulados, obtendo assim a autoridade
moral imprescindível aos labores dessa ordem. Esta autoridade é fator
primacial, pois uma reunião dirigida por quem não a possui será,
evidentemente, ambiente propício aos Espíritos perturbadores. Diz-nos
Kardec que a verdadeira superioridade é a moral e é esta que os
Espíritos realmente respeitam. É ela que irá infundir nos integrantes
da equipe a certeza de uma direção segura e equilibrada.
O dirigente precisa ser, pois, alguém em quem o grupo confie, uma
pessoa que represente para os encarnados a diretriz espiritual,
aquela que na realidade sustenta e orienta tudo o que ocorre. Ele é o
representante da direção existente na Espiritualidade, o pólo
catalizador da confiança e da boa-vontade de todos.
Ao dirigente cabe ainda a tarefa de conscientizar a equipe quanto à
necessidade do seu entrosamento com o Centro Espírita onde trabalha,
para que o grupo não fique apartado das atividades da Casa. É de bom
alvitre que a equipe seja integrada ao Centro onde funciona.
O dirigente deve preparar um companheiro para auxiliá-lo e substituílo
em seus impedimentos.
Algumas das qualidades indispensáveis ao dirigente: autoridade
fundamentada no exemplo; conhecimento do Espiritismo; fé; facilidade
de se expressar; amor à tarefa e ao próximo; hábito de estudo e
oração; delicadeza; calma; firmeza; precisão.
Os Médiuns
O Espírito João Cleofas(3) afirma que “a mediunidade com Jesus é uma
porta de esperança no labirinto das aflições”. E poderíamos
acrescentar que, o médium é a chave que abre esta porta.
Vejamos alguns sábios conselhos de Allan Kardec(4):
“Santa é a missão que desempenha os médiuns, rasgar os horizontes da
vida eterna. . . Como intérpretes dos ensinos dos Espíritos têm que
desempenhar importante papel na transformação moral que se opera. . .
Aquele que, médium, compreende a gravidade do mandato religiosamente
o desempenha. . .”
“O médium que compreender o seu dever longe de se orgulhar de uma
faculdade que não lhe pertence visto que lhe pode ser retirada,
atribui a Deus as coisas boas que obtém. . .”
Estes conceitos de Kardec(5) reforçam o ascendente moral que deve
prevalecer, sempre, no exercício mediúnico, e remete-nos à uma
reflexão acurada sobre as qualidades de caráter predominantes nos
Bons Médiuns, conforme ele mesmo classificou: médiuns sérios,
modestos, devotados e seguros.
Alguns autores têm procurado elucidar a razão de algumas pessoas
possuírem maior aptidão do que outras para a mediunidade.
No dizer de André Luiz(6) “a aptidão mediúnica provém de um
pronunciamento do campo magnético de certas pessoas, situadas
temporariamente em regime de “descompensação vibratória” seja de teor
purgativo ou de elevada situação. . .” Seria uma projeção do
perispírito para fora do corpo carnal(7) daí André Luiz ter afirmado
que “mentes integralmente afinadas com a esfera física possuem campo
magnético reduzido”.
Que o teor das experiências de vidas anteriores concorrem para o
surgimento da mediunidade confirma o Espírito Odilon Fernandes (8) ao
dizer: “Existem pessoas que, seja pelo débito cármico, seja pelo seu
merecimento, trazem a mediunidade a flor da pele”... Elas tiveram um
tipo de vida que lhes possibilitou o progresso nesse sentido.
Aprenderam a exercitar a mente, viveram de forma solitária, foram
vampirizados por entidades espirituais que lhe precipitaram as forças
psíquicas”.
Refletindo sobre esse caráter provacional de grande número de
médiuns, Herminio Miranda (9) escreveu: “A mediunidade longe de ser
uma marca de nossa grandeza espiritual, é, ao contrário, o indício de
renitentes imperfeições. Representa uma capacidade concedida para
abreviar o resgate de faltas passadas... O médium não é um ser
aureolado pelo dom divino, mas depositário desse dom, que lhe é
concedido em confiança para uso adequado”.
É como se a Lei Divina, colocasse na própria dor decorrente de nossas
quedas, o princípio qualitativo, automático, regularizador da nossa
evolução. Assim, a mediunidade de provas de hoje poderá ser a
mediunidade-missão do amanhã. O instrumento insipiente (forças
vibratórias frágeis) desta encarnação poderá vir a ser o instrumento
afinado do futuro.
OS ASSISTENTES
Os assistentes quando conscientes do papel que desempenham fazem-se
“dínamos de vibrações amorosas” no dizer de Hermínio Miranda(10).
Ouçamos o que nos ensina o Espírito Odilon Fernandes(11). “Os médiuns
de sustentação são aqueles que se especializam no sentido de manterem
o bom padrão vibratório da reunião, através da prece silenciosa e dos
pensamentos fraternos que emitem. . . Têm uma importância muito
maior do que comumente se pensa”.
As instruções seguintes são de André Luiz(12):
“Os assistentes mantenham harmoniosa união de pensamentos, oferecendo
base às afirmativas do dirigente ou doutrinador”.
“Dispensem simpatia e solidariedade para com os comunicantes como se
fossem parentes queridos”.
“Não perpassem em suas mentes idéias de censura ou crueldade, ironia
ou escândalo”.
E Hermínio Miranda(13) completa esse quadro de instruções com uma
advertência das mais importantes:
“Os assistentes não devem se envolver mentalmente na conversa a ponto
de interferir no difícil diálogo entre o doutrinador e o Espírito”.
A leitura dos capítulos 7 e 11 de “Nos Domínios da Mediunidade” e 17
de “Missionários da Luz” nos ensejará compreender a gama de
providências e recursos que se podem movimentar numa reunião
mediúnica com as energias oferecidas pelos que dela participam, ou
seja:
- Reproduzir através do “condensador ectoplásmico” as imagens
fluídicas projetadas pela mente dos Espíritos comunicantes, para
análise dos Mentores e do Doutrinador;
- Tornar visíveis aos Espíritos sofredores os Mentores e Espíritos
familiares em serviço de ajuda;
- Composição de idéias-formas e quadros transitórios para serem
mostrados aos Espíritos sofredores com finalidades educativas ou
coercitivas;
- Compor vestimentas de médiuns em desdobramento.
A EQUIPE ESPIRITUAL
A parte da seção mediúnica que se desdobra no plano físico nem de
leve se equipara à complexidade dos labores que se dão no plano
espiritual.
Hermínio Miranda(14) afirma que “o trabalho que nos trazem (os
mentores) obedece a planejamentos cuidadosos, cuja vastidão e
seriedade nem podemos alcançar para entender. . . embora portem-se
com “discrição e seriedade, interferindo o mínimo possível”.
Somente a observação atenta no decorrer dos anos permite-nos avaliar
parcialmente a importância da presença desses benfeitores queridos.
São algumas de suas atribuições:
- Escolha dos Espíritos que se comunicarão em função das
possibilidades da equipe de encarnados;
- Preparação do ambiente(assepsia, defesas, etc);
- Preparação dos médiuns e doutrinadores para a reunião;
- Instruções diretas ao Grupo(manifestações);
- Manipulação de recursos vitais( ectoplasma);
- Acoplagem mediúnica e sustentação do processo da comunicação(Guias
dos Médiuns);
- Concentração magnética de Espíritos desarvorados;
- Participação direta no serviço da doutrinação;
- Ampliação da voz dos doutrinadores e Espíritos Bons em serviço
para as regiões sombrias do Mundo Espiritual.
TIPOS DE REUNIÕES
Kardec classificou em frívolas e instrutivas(15) de acordo com o grau
de conscientização das pessoas que delas participam, e experimentais,
aquelas voltadas para a pesquisa dos fenômens de efeito físico.
Como nosso propósito é tratar apenas das reuniões instrutivas sérias,
poderíamos dizer que as mesmas, no Brasil foram se ajustando
determinados projetos de trabalho ganhando características
particulares e designações próprias, ou seja:
REUNIÕES DE EDUCAÇÃO MEDIÚNICA
São as reuniões para onde convergem os médiuns principiantes, que em
convivência com alguns médiuns mais experientes se educam. Costumam-
se fazer aprendizado teórico concomitante ao prático, dividindo-se o
tempo entre o estudo e a prática ou exercício.
REUNIÕES DE DESOBSESSÃO
Especializadas no atendimento de casos de obsessão. Somente médiuns
adestrados participam destas reuniões. Pode-se trabalhar de forma
direcionada para atender determinadas pessoas encarnadas que reclamam
o socorro do grupo, pode-se trabalhar em desobsessão exclusiva dos
trabalhadores da Casa, ou pode-se operar os casos espontâneos
programados pelos Espíritos Superiores.
REUNIÕES DE PRONTO SOCORRO ESPIRITUAL
É uma reunião espontânea em que se atende os Espíritos que são
trazidos ao grupo pelos Mentores. Espíritos de qualquer natureza
podem ser trazidos, obsessores, sofredores, etc., a depender da
programação Espiritual da preparação da equipe. Há instituições que
fazem a educação mediúnica em reuniões desta natureza, quando não as
têm específicas para tal mister.
REUNIÕES DE FLUIDOTERAPIA
Visam atender especificamente os encarnados, seja com passes ou bioenergia
ou através da atuação magnética dos Espíritos.
REUNIÕES EXPERIMENTAIS
Ainda prevalece a percepção de Kardec. Estas reuniões estão voltadas
para a obtenção do fenômeno físico e das materializações(inexistentes
ou pouco difundidas no tempo de Kardec).
REUNIÕES MISTAS
Destinam-se à exposição doutrinária(no primeiro momento) e ao socorro
mediúnico(no segundo) aos Espíritos que possam ser atendidos,
conforme o ambiente fluídico da Reunião. Estas reuniões, ao que nos
parece, são estágios provisórios de instituições em formação ou
situadas em regiões de difícil locomoção, em que as oportunidades não
se renovam com facilidade.
BIBLIOGRAFIA:
( 1) O Livro dos Espíritos - Allan Kardec - FEB
( 2) O Livro dos Médiuns - Allan Kardec - FEB
( 3) Intercâmbio Mediúnico - João Cleofas e Divaldo P. Franco - Leal
( 4) O Livro dos Médiuns - Allan Kardec - FEB
( 5) O Livro dos Médiuns - Allan Kardec - FEB
( 6) Nos Domínios da Mediunidade - André Luiz e Francisco C. Xavier
- FEB
( 7) Nos Domínios da Mediunidade - André Luiz e Francisco C. Xavier
- FEB
( 8) Mediunidade e Doutrina - Odilon Fernandes e Carlos A. Baccelli
- IDE
( 9) Diálogo com as Sombras - Hermínio C. Miranda - FEB
(10) Diálogo com as Sombras - Hermínio C. Miranda - FEB
(11) Mediunidade e Doutrina - Odilon Fernandes e Carlos Baccelli -
IDE
(12) Desobsessão - André Luiz e Francisco C. Xavier - FEB
(13) Diálogo com as Sombras - Hermínio C. Miranda - FEB
(14) Diálogo com as Sombras - Hermínio C. Miranda - FEB
(15) O Livro dos Médiuns - Allan Kardec - FEB

MEDIUNIDADE


A MEDIUNIDADE
É natural que nos comuniquemos com os espíritos desencarnados e eles conosco, porque também somos Espíritos, embora estejamos encarnados. Pelos sentidos físicos e órgãos motores, tomamos contato com o mundo corpóreo e sobre ele agimos. Pelos órgãos e faculdades espirituais mantemos contato constante com o mundo espiritual, sobre o qual também atuamos. Todas as pessoas, portanto, recebem a influência dos espíritos. A maioria nem percebe esse intercâmbio oculto, em seu mundo íntimo, na forma de pensamentos, estados de alma, impulsos, pressentimentos, etc. Mas, há pessoas em que o intercâmbio é ostensivo. Nelas, os fenômenos são marcantes, acentuados, bem característicos( psicofonia, psicografia, efeitos físicos, etc.), ficando evidente uma outra individualidade, a do Espírito comunicante. A essas pessoas, Allan Kardec denomina médiuns. Médium é uma palavra neutra, de origem latina; quer dizer medianeiro, que está no meio. De fato, o médium serve de intermediário entre o mundo físico e o espiritual, podendo ser o intérprete para o Espírito desencarnado. Mediunidade é a faculdade que permite sentir e transmitir a influência dos Espíritos, ensejando o intercâmbio, a comunicação, entre o mundo físico e o espiritual. (Faculdade: capacidade que pode ou não ser usada).
Quem apresenta perturbação é médium?
Muitas vezes, ao eclodir a mediunidade, a pessoa costuma dar sinais de sofrimento, perturbação, desequilíbrio. Firmou-se até um conceito errado entre o povo: se uma pessoa se mostra perturbada, deve ter mediunidade. Entretanto, a mediunidade não é doença, nem leva à perturbação, pois é uma faculdade natural. Se a pessoa se perturba ante as manifestações mediúnicas, é por sua falta de equilíbrio emocional e por sua ignorância do que seja a mediunidade, ou porque está sob a ação de maus Espíritos. Não se deve colocar em trabalho mediúnico quem apresente perturbações. Primeiro, é preciso ajudar a pessoa a se equilibrar psiquicamente, através de passes, vibrações e esclarecimentos doutrinários. Deve-se recomendar, também, a visita ao médico, porque a perturbação pode ter causas físicas, caso em que o tratamento será feito pela medicina. Para o desenvolvimento da mediunidade, somente deve ser encaminhado quem esteja equilibrado e doutrinariamente esclarecido e conscientizado.
Sinais Precursores
A mediunidade fica bem caracterizada, quando: - há vidência ou audição no plano fluídico; - se dá o transe psicofônico(mediunidade falante) ou psicográfico (mediunidade escrevente); - há produção de efeitos físicos onde a pessoa se encontre. Mas, nem sempre é fácil e rápido de distinguir as manifestações mediúnicas, quando, em seu início, das perturbações fisiopsíquicas. Eis alguns sinais que se não tiverem causas orgânicas, podem indicar que a pessoa tem facilidade para a percepção de fluído, para o desdobramento(que favorece o transe) ou que está sob a atuação de Espíritos: - sensação de “presenças” invisíveis; - sono profundo demais, desmaios e síncopes inexplicáveis; - sensações ou idéias estranhas, mudanças repentinas de humor, crises de choro; - “ballonement” (sensação de inchar, dilatar) nas mãos, pés ou em todo o corpo, como resultado de desdobramento perispiritual; - adormecimento ou formigamento nos braços e pernas; - arrepios de frio, tremores, calor, palpitações.(1)


Referência Bibliográfica (1) Curso de Iniciação ao Espiritismo - Cap. Mediunidade e seu Desenvolvimento - Editora e Gráfica do Lar/ABC do Interior.

PAIS E FILHOS À LUZ DA REENCARNAÇÃO

O que os pais transmitem aos filhos?
Não são os pais que criam o Espírito de seu filho. Nem é verdade que os pais transmitam aos filhos parte de sua própria alma. Porque o corpo procede do corpo mas o Espírito não procede do Espírito.
O que os pais fazem é fornecer aos filhos o invólucro que, quase sempre, tem uma semelhança física e de disposições orgânicas por causa da hereditariedade, que rege a formação do corpo material.
A essa vida animal que os pais transmitem aos filhos, uma nova alma, a do filho, vem se juntar trazendo a vida moral.
Os pais jamais transmitem aos filhos a semelhança moral, porque se trata de espíritos diferentes.
As semelhanças morais que existem, às vezes, entre pais e filhos vêm do fato de serem eles espíritos simpáticos, atraídos pela afinidade de suas inclinações. Podem ser, também, resultado da educação, popis o espírito dos pais exerce, e muito, influência sobre os espíritos dos filhos, após o nascimento.
Educar é missão dos pais
As crianças não são almas recém-criadas por Deus. São espíritos com certa experiência e desenvolvimento, pois já viveram muitas vidas anteriormente. Trazem, como bagagem espiritual, as consequências de seus acertos e, também de seus erros, o que pode estar simbolizado na antiga ideia de "pecado original".
Quando passa pelo estágio da infância física, o Espírito está como que num repouso de atividade mais intensa do seu eu. E se torna mais acessível às impressões que recebe, porque o cérebro novo registrará novos informes e estímulos. Costuma apresentar-se mais dócil, porque se encontra dependente para com os seus responsáveis na vida terrena.
É, pois, a infância o momento ideal para a ação educativa, moralizante, que muito poderá ajudar o Espírito em seu progresso na nova reencarnação.
E cabe ao espírito dos pais, em especial, a missão de desenvolver o dos filhos pela educação, procurando corriigir as tendências más que trazem e cultivar as boas qualidades que tem em potencial, como criatura de Deus.
Os pais não poderão, pelos pensamentos e preces, determinar para o corpo do filho que vao gerar, um bom espírito em lugar de um espírito inferior. Mas podem melhorar o espírito da criança a que deram nascimento e que lhes foi confiada. Esse é o seu dever.
Filhos maus são uma prova para os pais. Pais bons e virtuosos podem ter filhos até perversos, porque um mau pode pedir bons pais, na esperança de que seus conselhos o dirijam por uma senda melhor e, muitas vezes, Deus o atende.
Educar os filhos é tarefa que Deus confiou aos pais e, se nela falharem, serão culpados. Mas se fizeram tudo o que podiam e deviam pelo adiantamento moral de seus filhos e eles é que não aceitam a boa orientação, os pais podem ficar de consciência tranquila. A amargura que sentem por não alcançarem o êxito esperado é suavizada pela certeza de que, no futuro, ainda podrão concluir a obra agora começada e que, um dia, os filhos ingratos os recompensarão com o seu amor.
Todas as pessoas que convivem com a criança também devem cooperar na sua educação, pois a fraternidade nos faz responsáveis usn pelos outros.
Em complementação à tarefa educadora dos pais, os Centros ESpíritas procuram organizar grupos para evangelização da infância, ou seja, para lhes transmitir a moral evangélica, à luz do ESpiritismo.
Semelhanças entre irmãos
Muitas vezes há semelhanças de carater entre irmãos, sobretudo entre gêmeos, o que pode ser explicado por:
- influência da educação igual que tiveram e a que foram acessíveis; ou
- por serem espíritos simpáticos e afins entre si.
Porém, não é regra geral essa semelhança. Às vezes, há aversão entre irmÃos, mesmo gêmeos, porque são espíritos desafetos, diferentes ou maus, que precisam estar juntos para seu mútuo progresso no cenário da vida terrena.
Gêmeos siameses: são gêmeos que nascem com os corpos ligados ou, até mesmo, com certos órgãos em comum. Havendo duas cabeças pensantes, é que ali estão dois espíritos habitando num mesmo conjunto físico. Somente serão semelhantes entre si, quanto a sentimento e comportamento, se forem afins espiritualmente.

Livros consultados:
De Allan Kardec
- "O Evangelho Segundo o ESpiritismo", caps IV e XIV;
- "O Livro dos Espíritos", 2ª parte, cap IV.
De Hermínio C. Miranda:
- "NOssos Filhos São ESpíritos".

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

SONO E SONHOS

Há vários estados em que o espírito encarnado pode desfrutar de emancipação parcial em relação ao corpo. O sono é um deles, assim como o desdobramento, o transe (sonambúlico ou mediúnico), o êxtase.

O Sono
É um fenômeno fisiológico pelo qual o corpo entra em repouso para recomposição física.
Nele se dá uma suspensão da vida ativa e de relação, o que possibilita se afrouxem os laços fluídicos que prendem o espírito à matéria.
Estando lassos os cordões fluídicos, o espírito pode afastar-se do corpo adormecido e:
- recuperar suas faculdades espirituais (cuja ação a influência da matéria impedia ou limitava);
- reconhecer-se como ser imortal e ver com clareza a finalidade de sua existência atual;
- lembrar-se do passado (inclusive vidas anteriores) e antever ou deduzir acontecimentos que se estão encaminhando para acontecer.
Observação: A amplitude ou não dessas possibilidades é relativa ao grau de evolução do espírito.

Sono e morte
O sono parece um pouco com a morte (desencarnação). Só que, nesta, o desligamento dos laços fluídicos é total, enquanto que, no sono, a emancipação é parcial.
No sono, os cordões fluídicos, mesmo lassos, continuam a possibilitar perfeita comunicação com o corpo; se for necessário o pronto retorno, o espírito tomará imediato conhecimento e regressará incontinente.

Vivência do espírito durante o sono
O espírito nunca está inativo. O sono, que repousa o corpo, é para o espírito, oportunidade de entrar em relação com o mundo espiritual, a fim de haurir orientação, conforto e forças para prosseguir com acerto em sua jornada terrena.
Emancipando-se parcialmente do corpo, cada espírito vai agir segundo seu estado evolutivo. Assim, varia a vivência do espírito durante o sono.
Inferiores – Presos que estão por interesses egoístas, materialistas, pouco se afastam do corpo ou do ambiente terreno; dão expansão aos seus instintos e tendências inferiores, junto aos espíritos com os quais se afinam.
Benévolos ou evoluídos – Vão a ambientes espirituais elevados, onde se instruem e trabalham, junto a entidades superiores, e reencontram amigos e parentes desencarnados.
Não somente com os desencarnados podemos nos relacionar espiritualmente, enquanto o corpo dorme.
Também podemos visitar criaturas encarnadas e com elas convivermos, de maneira superior ou inferior, conforme sejam o grau de evolução, propósitos e anseios, nossos e delas.

O sonho
Há sonhos que são apenas um processo fisio-psíquico e outros que são sonhos espíritas.
No primeiro caso, o sonho:
- retrata condições orgânicas (perturbações circulatórias, digestivas, ruídos ambientes, calor, frio etc.). Às vezes, ajudam a detectar enfermidades de que conscientemente não nos apercebemos;
- ou revela criações mentais nossas (subconsciente), com base no que houver afetado a nossa mente na vigília (pensamentos, impressões, anseios, temores etc.). Podem ajudar a interpretar nosso mundo psíquico.
Já o Sonho Espírita é o resultado da vivência do espírito no mundo espiritual, enquanto o corpo dormia; é a lembrança do que ele viu, sentiu ou fez a emancipação parcial.
Às vezes, nada lembramos dessa vivência espiritual, porque durante ela o cérebro físico não foi utilizado e depois, no retorno ao corpo, a matéria deste, pesada e grosseira, também não permitiu o registro das impressões trazidas pelo espírito.
Outras vezes lembramos apenas a impressão do que nosso espírito experimentou à saída ou no retorno ao corpo. Se essas lembranças se misturarem aos problemas fisio-psíquicos, tornam-se confusas, incoerentes.
Quando necessário, os bons espíritos atuam de modo especial sobre nós para que, ao acordar, lembremos algo de maior importância tratado no mundo espiritual. Mesmo que não lembremos tudo perfeitamente, do que foi vivido durante o sono do corpo, ficará uma intuição, que nos sugere idéias, ações.
Os espíritos maus também podem fazer o mesmo se, pelo nosso modo de viver, tivermos concedido a eles essa ascendência sobre nós.

Importância do sono e o preparo para ele
O fato de passarmos um terço de nossa existência dormindo (8 das 24 horas do dia) indica a importância:
Do sono físico: ensejando repouso orgânico, liberação de toxinas etc.
Do sonho: para o equilíbrio:
- psíquico (pessoas impedidas de sonhar sofrem perturbações graves);
- espiritual ( a vivência espiritual que desfrutamos enquanto o corpo dorme é como hora de visitas ou de tomar sol no pátio para o detento numa prisão).
Façamos, pois, um preparo para o nosso repouso diário:
- orgânico (refeições leves, higiene, silêncio etc.);
- mental (leituras, conversas, filmes, atividades comedidas, não afligentes ou desgastantes);
- espiritual (leitura edificante, meditação, serenidade, perdão, prece).
Assim, nosso corpo e mente repousarão, adequadamente e, em espírito, teremos melhor oportunidade de alcançarmos a convivência com os espíritos bons e amigos.


Livros consultados:
De Allan Kardec:
- “O Livro dos Espíritos”, perguntas 400-418;
- “Obras Póstumas”, 1ª parte, Manifestações dos Espíritos, prg 4º.
De Leon Denis:
- “No Invisível”, cap. XIII, 2ª parte.


Extraído do Livro Iniciação ao Espiritismo.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Milagre ou Fenômeno?

O que seria milagre?

A palavra milagre significa: coisa admirável, extraordinária, surpreendente. Popularmente, porém (sob a influência da teologia predominante no país), por milagres se entende: fato sobrenatural (que está além e fora da Natureza), algo inusitado e inexplicável, uma derrogação das leis na Natureza, pela qual Deus daria mostra de seu poder.
Em princípio, Deus poderia fazer milagres, pois para Ele tudo é possível. Mas não o faz, não derroga nem anula nas leis da Natureza, porque Ele mesmo as fez perfeitas e o que é perfeito não precisa ser modificado.
A demonstração da grandeza, sabedoria e poder de Deus não está em fazer milagres mas, sim, em haver criado leis tão perfeitas, que nelas tudo já está previsto e providenciado, sem nada a corrigir nem improvisar.


A explicação espírita dos milagres

Antigamente, havia muitas coisas consideradas como maravilhoso ou sobrenatural. Algumas nem eram fatos reais mas apenas crendices ou superstições sem fundamento. Outras eram fenômenos (fatos naturais) e foram consideradas milagres por estarem mal explicadas ou serem desconhecidas as suas causas.
O círculo do maravilhoso ou do sobrenatural vem diminuindo al longo dos tempos, pelo progresso do conhecimento humano, através:
- da Ciência, que revela as leis que regem os fenômenos do campo material;
- do Espiritismo, que revela e demonstra a existência dos espíritos e como agem sobre os fluidos, explicando certos fenômenos como efeitos dessa causa espiritual.
As curas realizadas por Jesus, por exemplo, foram consideradas pelo povo como milagres, no sentido que a palavra tinha na época: o de coisa admirável, prodígio.
Atualmente, o Espiritismo esclarece que os fenômenos de curas se dão pela ação fluídica, transmissão de energias, intervenção no perispírito etc. E permite examinar e compreender as curas realizadas por médiuns (espíritas ou não) ou por pessoas dotadas de excelente magnetismo. Essa explicação não diminui nem invalida as curas admiráveis, feitas por Jesus; pelo contrário, nos leva a reconhecer que Jesus tinha alto grau de sabedoria e ação para poder acionar assim as leis divinas e produzir tais fenômenos.

Em conclusão

Os fatos tidos como milagres nada mais são do que fenômenos; fenômenos que estão dentro das leis naturais; são efeitos cuja causa escapa à razão do homem comum. Podem ocorrer sempre que se conjugarem os fatores necessários para isso.
Se há coisas que parecem inexplicáveis para nós, é porque nosso grau de evolução na atualidade ainda não nos possibilita a compreensão desses fenômenos.
E se não produzimos com facilidade fenômenos como esses é porque ainda não desenvolvemos suficientemente as nossas faculdades espirituais.
Mas tudo que acontece está sempre dentro de leis divinas. Leis que, sendo perfeitas e imutáveis, não podem e nem precisam ser derrogadas, anuladas.

Os milagres que o Espiritismo faz
O Espiritismo coloca ao nosso alcance muitos recursos espirituais com os quais se torna possível acionarmos certas leis naturais e produzimos alguns fenômenos que ajudam ao próximo e a nós mesmos.
Mas quem procurar o Espiritismo somente para obter cura imediata de seus males físicos e espirituais, ou para resolver de pronto seus problemas materiais, poderá ficar decepcionado.
Porque somente se realiza o que estiver dentro das leis divinas. E o Espiritismo não tem por finalidade principal a realização de fenômenos mas, sim, o progresso moral da humanidade.
O maior milagre que o Espiritismo faz não é tirar problemas e dores do nosso caminho. É explicar-nos o porque das coisas e ensinar-nos: como podemos melhorar a nós mesmos para gerarmos efeitos felizes; como prevenir e resolver no sentido do bem; ou ainda, como suportar aquilo que, por ora, não pode ser mudado porque nos serve de expiação ou de prova.

As obras que podemos fazer

Jesus realizava coisas extraordinárias, devido, a sua grande evolução espiritual. Afirmou, porém; “aquele que crê em mim, fará também as obras que eu faço e outras maiores fará, porque eu vou junto do Pai”. ( Jô. 14 v 12.)
De fato, Jesus apenas fez uma amostragem das realizações espirituais possíveis e, tendo ele retornado ao plano espiritual, os espíritos que continuam reencarnando na Terra poderão fazer aqui muitos fenômenos admiráveis, ainda mais que o ser humano está evoluindo e cada vez mais está aprendendo como lidar com as leis e forças do mundo espiritual.
Para realizar fenômenos espirituais, porém, é preciso ter fé.

Que é fé?

Fé é confiança quanto às coisas espirituais, convicção de que não obstante escapem aos nossos sentidos comuns (por serem invisíveis i impalpáveis), elas existem, são reais e funcionam.
A fé vem como resultado do conhecimento que se tenha a respeito das coisas espirituais. Podemos adquiri-la:
- pela observação direta de fenômenos espirituais, objetivos iu subjetivos, ocorridos conosco mesmo ou com outras pessoas;
- raciocinando sobre os fenômenos da vida universal, para deduzir deles as leis e fatos que transcendem aos nossos sentidos;
- por informações sobre as realidades espirituais que nos forem dadas por outros (encarnados ou não), que nos mereçam confiança e respeito, por sua sabedoria e autoridade moral.

Fé e ação

Para levar à ação acertada, a fé tem de ser esclarecida e bem fundamentada.
Uma fé que:
- nos permita entender quem somos, de onde viemos, porque estamos no mundo e para onde iremos após a morte; ou seja, que somos espíritos filhos de Deus, vindos do plano espiritual, aqui encarnados para progredirmos, até retornarmos ao plano de onde viemos;
- que nos mostre que podemos agir sobre as coisas e seres e como devemos faze-lo;
- que nos leve a querer fazer o bem, porque é o único caminho bom para todos;
- que nos assegure amparo e auxílio divinos para as nossas boas realizações espirituais, através de Jesus e dos bons Espíritos, seus emissários junto a nós;
- que nos de coragem para perseverar no esforço evolutivo e na prática do bem, pela certeza de que alcançaremos resultados satisfatórios, agora ou depois, aqui ou na imortalidade..
Uma fé assim é que “transporta montanhas” (Mt 17v 20), ou seja: faz suportar sofrimentos, superar dificuldades, transformar situações e pessoas.

A nossa fé

Já temos alguma fé (conhecemos alguma coisa da vida espiritual) e com essa fé, embora ainda pequena, já temos conseguido realizar alguma coisa, superar dificuldades, suportar situações.
Mas se a cultivarmos (pelo estudo, observação e exercício das coisas espirituais), nossa fé crescerá e nos permitirá fazer coisas mais difíceis e importantes, verdadeiramente admiráveis.

Tenhamos fé

Em Deus: sua bondade e poder são infinitos, não deixando nenhuma de suas criaturas ao abandono; o que for realmente bom e necessário, Deus nos concederá, se fizermos a nossa parte;
Em Jesus: como nosso Mestre espiritual, Guia de nossas almas e Luz em nosso caminho para Deus;
Nos Bons Espíritos: porque eles executam a vontade divina; dentro do que sabem e do que podem, amparam e socorrem as criaturas, conforme o merecimento ou a necessidade delas.
Em nós mesmos: confiemos em nossas forças e possibilidades, pois somos criaturas de Deus..

Livros consultados:
De Allan Kardec:
- “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. XIX;
- “A Gênese”, cap. XIII.

Extraído do Livro Iniciação ao Espiritismo.

sábado, 17 de janeiro de 2009

ARGUMENTANDO SOBRE A REENCARNAÇÃO


I – Argumentos filosóficos

Sem a reencarnação, cada pessoa que nasce seria um espírito novo, criado por Deus para, numa única existência terrena, alcançar a perfeição e a felicidade espiritual, indo gozar para sempre o céu, ou, em caso contrário penar eternamente no inferno. Nesse caso:
- por que não somos hoje como os homens das cavernas?
Nosso progresso significaria que, ao longo dos séculos, Deus se aperfeiçoou na arte de criar? E seria justo os criados por último estarem gozando de melhores condições de corpo e de meio ambiente que
e os primitivos?;
- por que uns nascem saudáveis e outros enfermos? Uns inteligentes e outros débeis mentais? Uns ricos e outros miseráveis? Não sendo iguais as situações de vida, como exigir que todos alcancem os mesmos resultados?;
- quem mesmo se aplicando muito, consegue numa só vida a perfeição ( o desenvolvimento de todas as suas potencialidades e o pleno conhecimento do mundo material e espiritual) e a felicidade (por saber usar de tudo com acerto e equilíbrio, retirando os melhores efeitos?) A obra de Deus ficaria incompleta ou condenada para sempre? Não tem Ele poder para completa-la ou dirigi-la? Ou já nos criou sabendo disso, que não conseguiríamos a perfeição nessa vida única?
Então, não seria bondoso.
Com a reencarnação que se conjuga à ideia de evolução, temos conclusões inteiramente outras:
1) Deus é justo. Cria todos os seres iguais e a todos da as mesmas oportunidades.
As diferenças entre indivíduos explicam-se pelo grau de evolução em que cada ser se encontra. Uns viveram mais e por isso ostentam maior desenvolvimento intelectual e moral. Outros ou não aproveitaram bem as oportunidades de progresso ou ainda não tiveram muitas existências, por isso se apresentam em menor evolução. Diferentes são as dificuldades e problemas enfrentados pelas pessoas, porque cada qual tem uma necessidade diferente de experiências para o seu progresso atual. Mas não há acaso ou injustiça divina, nem mesmo nas diferenças devidas à:
a) Hereditariedade: dependem da ligação que o espírito tenha com a família em que renasce e das condições que tenha em seu perispírito para aproveitar, sofrer ou superar os fatores hereditários.
b) Meio ambiente: se o espírito renasce nesse meio é porque tem ligações com ele ou precisa das experiências que ele enseja, para valer-se das boas influências e superar as más.
2) Deus é bondoso. Nunca nos condena e, embora cada um receba segundo suas obras, todos terão tantas oportunidades quantas necessárias para resgatarem seus erros e evoluírem.
3) Deus é poderoso. Criou-nos para a perfeição e a felicidade e seu desígnio se cumprirá, pois todos nós as alcançaremos, através das vidas sucessivas.

II – Argumentos científicos

Conquanto em todos os lugares e povos, e em todos os tempos, haja evidências sobre a reencarnação, ainda não podemos dizer que ela esteja comprovada, segundo os atuais cânones da Ciência, que tudo reporta ao plano da matéria e precisa que os fenômenos se repitam de uma forma que possa provocar e controlar para então observá-los, entendê-los e explicá-los.
A reencarnação, porém, é um processo que transcende a vida física (embora parte dela se de no mundo material). E é, também, um processo de vida que não está nas mãos do homem fazer parar ou repetir, para observa-lo.
Porém pesquisas modernas vêm dando uma abertura neste campo e já se tem conseguido dados significativos a respeito, através de:
a) Lembranças espontâneas.
Há pessoas que, conscientemente ou em sonhos, se lembram de algumas de suas existências passadas.
O Dr. Banerjee, da Índia, e o Dr Yan Stevenson escreveu “20 casos que sugerem Reencarnação”.
b) Regressão da memória pela hipnose.
Hipnotizada, a pessoa passa a lembrar e relatar seu passado nesta encarnação e, em certos casos, chega a recordar uma ou mais existências anteriores, descrevendo fatos, acontecimentos dessas encarnações passadas. Livros tem sido escritos a respeito dessas pesquisas, como o da psicóloga americana Helen Wanbach, intitulado “Life Before Life”.
Mais recentemente, surgiu nos EUA, uma técnica psicológica, lançada pelo Dr. MOrris Netherton, para a regressão da memória a vivências passadas ( desta ou de outras encarnações) feita em estado de lucidez ( não é por hipnose) e com finalidade terapêutica. É a Terapia de Vidas Passadas (TVP), que está sendo chamada de Terapia Regressiva a Vivências Passadas (TRVP), porque nem sempre o que se detecta no paciente é da vida passada, mas desta existência.
b) Anúncios de Reencarnação futura.
Por revelações mediúnicas ou por via anímica ( percepção do próprio encarnado), às vezes são feitos anúncios de que um determinado espírito vaio reencarnar e são dados sinais preciosos para a sua identificação, quando do nascimento, o que se cumpre depois, conforme fora anunciado.

III – Argumentos religiosos

Nas tradições e na literatura religiosa de muitos povos e épocas, encontraremos o registro da ideia da reencarnação e ensinos a respeito. Mas como, aqui no Brasil, nosso povo está mais ligado as ideias religiosas da Bíblia, a ela recorreremos.
No Velho como no Novo Testamento, uma passagem em que Jesus a ensina teoricamente, outra em que indica estar reencarnado entre eles naquela época, alguém que no passado fora muito conhecido e respeitado, e uma terceira em que reafirma essa reencarnação.
1. O diálogo de Jesus com Nicodemos (João, cap 3 vs. 1 a 12.)
Neste diálogo, Jesus ensina teoricamente a reencarnação. NIcodemos pensou no mesmo corpo nascendo de novo ( o que não é possível). Jesus corrigiu esse erro: “o que é nascido da carne é carne”, o corpo segue a lei natural da decomposição da matéria; reafirmou que para “entrar no reino de Deus” (alcançar planos espirituais elevados) há necessidade de renascer tanto da água (símbolo da matéria) como do espírito; ou seja, reencarnar no mundo material mas também renovar-se intimamente, progredir.
Usou o ar (pneuma, símbolo do elemento espiritual) como comparação para explicar que sentimos a presença e manifestação do espírito reencarnado, através do seu novo corpo, mas não podemos identificar de onde veio ( o passado é providencialmente esquecido) nem apontar-lhe um futuro ( vai depender do seu livre-arbítrio).
2. Jesus afirma duas vezes que João Batista era Elias reencarnado.

a) Após dar seu testemunho sobre João Batista.
- Desde o tempo de João Batista até o presente, o reino dos céus é tomado pela força e são os que se esforçam que se apoderam dele; porque todos os profetas e a lei profetizaram até João.
E se quereis reconhecer, ele mesmo é Elias que estava para vir.
Ouça-o aquele que tiver ouvidos de ouvir. (Mateus, II, vs. 12/15.)
b) Na transfiguração.
Quando Jesus se transfigurou, apareceram ao seu lado, conversando com ele, Moisés e Elias, ambos espíritos há muito desencarnados.
As profecias diziam que Elias tinha de vir antes do Cristo...
Se Jesus era o Cristo, como é que Elias ainda estava no plano Espiritual?
Para esclarecerem essa dúvida, os discípulos perguntaram a Jesus:
- Não dizem os escribas ser preciso que antes volte Elias?
- É verdade que Elias há de vir e restabelecer todas as coisas; mas eu vos declaro que Elias já veio e eles não o reconheceram e o trataram como lhes aprouve. É assim que farão sofrer o Filho do Homem.
Então, os discípulos compreenderam que fora de João Batista que ele falara. (Mateus, 17 vs. 10/13; Marcos, 9 vs. 11/13.)

Reencarnando como João Batista, Elias voltara à Terra e fizera o seu papel de precursor do Cristo. Depois, fora decapitado e retornara ao mundo espiritual de onde agora se apresentava de novo, ao lado de Jesus e à vista dos seus discípulos, num fenômeno de materialização.

IV. Conclusões

Estudando racionalmente a teoria da reencarnação:
- encontramos argumentos ser ela uma lei divina a nos ensejar o progresso incessante (pois é porta sempre aberta aos nossos esforços evolutivos);
- verificamos que nela se evidenciam de modo sublime o poder, a justiça e a bondade de Deus.
“Nascer, Morrer, Renascer, ainda e progredir sempre, tal é a lei”. ( Frase que se encontra no dólmen do túmulo de Allan Kardec em Paris.)


Livros consultados:
De Allan Kardec:
- “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap IV.
- “O Livro dos Espíritos”, 2ª parte, cap IV.
Da Bíblia:
- “Novo Testamento”.
De Gabriel Delanne:
- “A Reencarnação”.
De Torres Pastorino:
- “A Sabedoria do Evangelho”, 3º e 4º volumes.


Extraído do Livro Iniciação ao Espiritismo.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Allan Kardec, o Codificador.


I. Rivail, o Educador
Seu nascimento e nome
Hippolyte Léon Denizard Rivail era seu nome (conforme livro de batismo). Nasceu a 3/10/1804, em Lião, França, de antiga família lionesa, católica, cujos antepassados se distinguiram na advocacia, na magistratura e no trato dos problemas educacionais.

Estudou com Pestalozzi
Ao redor dos 11 anos de idade, seus pais o enviaram para estudar em Yverdum, na suíça, no Instituto de Educação do célebre pedagogo Pestalozzi.
Acredita-se tenha ali estudado ( e ensinado, pois os mais aplicados eram elevados a submestres) até 1822, quando voltou à França, estabelecendo-se em Paris, como professor.

O Pedagogo
De 1824 a 1848, além de lecionar, Rivail escreveu inúmeras e importantes obras pedagógicas, especialmente sobre aritmética e gramática francesa, além de tratados sobre educação pública, tendo um deles sido premiado pela Academia Real das Ciências de Arras (1831).
Em meados de 1825, fundou e dirigiu uma “Escola de Primeiro Grau”, que funcionou até 1834, quando foi fechada por dificuldades financeiras que um seu tio lhe causara.
Passou, então alguns anos trabalhando como contabilista, dedicando, porém, as noites ao labor na área da educação, a saber:
- elaborando novos livros de ensino;
- traduzindo obras literárias ou de estudo (principalmente do alemão e do inglês, embora também conhecesse holandês, grego, latim e outros idiomas);
- preparando cursos que ministrava em escolas (inclusive sobre lógica e retórica);
- organizando e ministrando, em sua própria casa, cursos gratuitos de química, física, astronomia, fisiologia, anatomia comparada etc., para alunos carentes.
Educador emérito, caráter ilibado, exemplificava fraternidade e amor aos semelhantes. Foi homem de grande projeção na França como em outros países da Europa, sendo membro de várias sociedades sábias e tendo recebido muitos títulos e honras.

Seu casamento
Em 6/2/1832, casou-se com a Professora Amélia-Gabriele Boudet, que lhe foi companheira dedicada e valiosa colaboradora. Não tiveram filhos.

II. Como se tornou espírita

As mesas girantes
Reunindo-se em torno de mesa de três pés, as pessoas faziam perguntas a que os espíritos respondiam através de pancadas. Essa prática tornara-se moda na Europa, ao redor de 1850-52, e alcançara os salões de Paris, onde morava o Professor Rivail.
Homem de cultura geral, Rivail já se interessara pelos estudos do magnetismo animal mas foi somente a partir de 1855 que começou a ter contato com os fenômenos da “mesas girantes” e “comunicação do além-túmulo” .
Estudando os fenômenos
Convidado a presenciar os fenômenos (1854), de início o Senhor Rivail não se interessou pelo que parecia ser, simplesmente, uma diversão social.
Pela insistência de amigos, foi observá-los (maio/1855) e constatou que eram verdadeiros e devidos a uma causa inteligente; essa mesma causa revelou que eram as almas dos homens que já viveram na Terra. Pesquisando mais, verificou que os espíritos manifestantes não eram todos iguais em conhecimento e moralidade, mas que suas informações eram valiosas, como as dos viajantes que nos relatam o que puderam ver e sentir dos países onde estiveram.
Prosseguindo nesses estudos, observou os fenômenos mediúnicos em todos os aspectos. Revisou 50 cadernos de escritos mediúnicos, formulando indagações aos espíritos. Serviu-se, para tanto, de mais de dez médiuns, especialmente as Srtas. Baudin e Japhet.
Deduzindo conseqüências dos fenômenos, aplicando invariavelmente o espírito crítico e o raciocínio filosófico nos estudos e experiências (para isso tinha preparo suficiente). Formou a sua convicção “sobre a imortalidade da alma, a natureza dos espíritos e suas relações com os homens, as leis morais, a vida presente, a vida futura e o porvir da Humanidade – segundo os ensinos dados por espíritos superiores” constituindo a Doutrina dos Espíritos, que ele denominou Espiritismo.

III. Kardec, o Codificador
Para apresentar ao público a Doutrina Espírita, escreveu cinco livros básicos, que são chamados “o Pentateuco Espírita”:
- “O Livros dos Espíritos”, 18/4/1857;
- “O Livro dos Médiuns”, 1861;
- “O Evangelho segundo o Espiritismo”, 1864;
- “O Céu e o Inferno”, 1865;
- “A Gênese”, 1868.
Importantes também, como detalhes, argumentação e com a finalidade de divulgação mais rápida e acessível ao grande público, escreveu pequenos livros como “O Que é o Espiritismo”.
Editou, a partir de janeiro/1858, a Revista Espírita (mais antiga do mundo), que circulou até recentemente, sofreu interrupção mas voltou a ser editada.
Fundou também a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, a 1º de abril de 1858, que foi modelo de organização espírita quanto à parte mediúnica e de estudos.

O nome Allan Kardec
Para a publicação das obras espíritas, objetivando distingui-las das que produzira pelo seu próprio saber, como pedagogo, adotou o pseudônimo de Allan Kardec, nome que, conforme revelação feita, usara em encarnação anterior, ainda em solo francês, ao tempo dos druidas.

Kardec, o Codificador
Como ele mesmo diz, su aparte na obra, de revelar a Doutrina Espírita foi a de haver coletado, coordenado e divulgado os ensinos. E, por organizar os ensinos revelados pelos Espíritos formando uma coleção de leis (um código) é que Allan Kerdec foi chamado “O Codificador”.

Sua desencarnação
Foi a 31/03/1869, em Paris, pelo rompimento de um aneurisma, em pleno labor de estudos e organização de novas tarefas espíritas e assistenciais.
Agradecemos a Kardec o trabalho e dedicação de sua vida à codificação dos ensinos dos espíritos, a fim de que também pudéssemos entender melhor as leis divinas, recebendo com isso conforto, bom ânimo e esperança para nossas vidas.
Para honrar-lhe a memória, procuremos aperfeiçoarmo-nos e servir, para que todos reconheçam no Espiritismo a doutrina capaz de modificar o homem para melhor e influir benéfica e poderosamente na sociedade.
“Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua formação moral e pelos esforços que faz para domar as suas más inclinações”.
“Trabalho, solidariedade, tolerância.”


Livros consultados:
- “Vida e Obra de Allan Kardec”, André Moreil, Edicel;
- “Allan Kardec”, Deolindo Amorim, editado pelo Instituto Maria e Instituto de Cultura Espírita de Juiz de Fora;
- “Allan Kardec”, Zeus Wantuil e Francisco Thiesen, Edição FEB;
- “A Missão de Allan Kardec”, Carlos Imbassahy, Ed. F.E. do Paraná;
- “O Que é Espiritismo”, Allan Kardec,
Biografia de Kardec, feita por Henri Sausse.

Extraído do Livro Iniciação ao Espiritismo.


COMO ENTENDER II?


Em algumas Biblias introduziram a palavra Espiritismo, a fim de desmoralizá-lo, mas como isso pode ser verdade se o termo foi criado por Allan Kardec em 1857? A palavra Espiritismo, não existe nem no dicionário hebraico e nem grego, então como foi surgir na tradução em Português? Será que foi inspirada por Deus ou é má fé dos tradutores?

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

PERISPÍRITO

O que ë?
Perispírito é o envoltório semimaterial do espírito.
Também o denominam de corpo fluídico ou corpo espiritual.
Origem e natureza
O perispírito tem a sua origem no fluído cósmico universal, retirado do mundo ou plano ao qual o espírito está relacionado.
É também matéria, como o corpo de carne, mas em estado diferente, mais sutil, quintessenciada; não é rígida como a do corpo físico e, sim, flexível e expansível, o que torna o perispírito muito plasmável sob a ação do espírito.
Assim como o corpo físico, o perispírito tem uma estrutura e fisiologia, mas não tem inteligência nem autonomia. Não é, pois, “um outro ser” mas apenas um instrumento do espírito, tal como o corpo físico.
Funções
1) Liga o espírito à matéria (neste como em outros mundos) e a ele serve de instrumento para agir sobre o plano fluídico ou material.
2) 222) Guarda o registro dos efeitos de toda a ação do espírito (sede da memória).
3) 333) Permite que os espíritos se identifiquem e reconheçam uns aos outros, no plano espiritual.
4) 4) É o molde, a fôrma do ser corpóreo.

Perispírito e encarnação
O perispírito pré-existe ao corpo físico.
Para o espírito encarnar: um laço fluídico (que é uma expansão do perispírito) se liga ao óvulo fecundado e vai presidindo à multiplicação das células, uma a uma, dirigindo a formação do corpo. Quando este se completa, está inteiramente ligado ao perispírito, “molécula a molécula”.
Obeservação importante: do ponto de vista espírita, portanto, desde a fecundação do óvulo, um espírito se ligou a ele e está trabalhando para formar o corpo de que precisa para viver neste mundo e continuar sua evolução.
Sabendo disto, não provocar o aborto, para respeitar o direito de viver do espírito reencarnante, que é um nosso irmão ante Deus.
O uso de anticoncepcional é preferível ao aborto mas não deve levar ao sexo irresponsável. O sexo serve à procriação e à permuta de energias entre homem e mulher. Não deve ser induzido a mero instrumento de sensações prazerosas, nem deve ser exercitado excessiva ou promiscuamente, mas sempre com equilíbrio e responsabilidade moral.
Quem ignorava as implicações espirituais do aborto e o praticou, ou induziu à sua prática, ou de alguma forma o ajudou, procura compensar o mal feito da maneira que estiver ao seu alcance: favorecer o nascimento que antes impediu, ajudar gestantes carentes a terem seus filhos, amparar recém-nascidos, alertar e orientar quem estiver querendo praticar o aborto para que não o faça, etc.
Durante a encarnação: o perispírito serve de intermediário entre o espírito e a matéria, transmitindo ao espírito as impressões dos sentidos físicos e comunicando ao corpo as vontades do espírito.
Observação: quando o corpo é anestesiado ou sofre paralisia, não há nele sensibilidade e o perispírito nada terá a transmitir ao espírito, quanto ao setor corpóreo prejudicado.
Se houver desdobramento, o perispírito temporariamente deixa de ter contato com o corpo e, durante esse estado, pouco ou mesmo nada transmitirá do espírito ao corpo (ou vice-versa), dependendo do grau de desdobramento.

Ao desencarnar: quando o corpo morre, o perispírito dele se desprende e continua a servir ao espírito, como seu corpo fluídico que é e como seu intermediário para com o plano espiritual ou material. Preexistia ao corpo e a ele sobrevive.
“Semeia-se corpo animal, ressurge corpo espiritual”, esclarece o apóstolo Paulo, na sua I Espístola aos Corintios (cap. 15 vs. 44).
Sobrevivendo ao corpo, o perispírito vem a provar a imortalidade do espírito. É ele (e não o espírito em si) que vemos nas aparições e visões; é ele que serve de instrumento para as manifestações do espírito aos nossos sentidos.
Geralmente, a aparência que o perispírito guarda é da última encarnação; ela poderá ser modificada (se o espírito quiser e souber como fazer isso), porque a substância sutil do perispírito é maleável e plasmável.

Sua evolução
O perispírito acompanha o espírito sempre, em todas as etapas de sua evolução.
Vai se tornando mais etéreo, à medida que o espírito se aperfeiçoa e eleva. Nos espíritos puros, já se tornou tão etéreo que, para os nossos sentidos, é como se não existisse.
Conforme a evolução do espírito, seu perispírito apresentará diferente:
- peso: que o fixa a um plano de vida espiritual em companhia dos que lhe são semelhantes;
- densidade: que responde pela sua maleabilidade; a expansão do perispírito é tanto maior quanto mais rarefeito e mais sutil ele for;
- energia: que se revela na luminosidade e irradiação, maior quanto mais evoluído for o espírito. Daí a expressão “espírito de luz”, significando espírito que já apresenta considerável grau de evolução.
A contextura do perispírito não é idêntica para todos os espíritos, ainda que sejam de um mesmo mundo. Isto porque a camada fluídica que envolve um mundo não é homogênea (toda igual) e o espírito, ao formar seu perispírito, dela atrairá os fluídos mais ou menos etéreos, sutis, segundo suas possibilidades.
Espíritos inferiores tem perispírito mais grosseiro e, por isso, ficam imantados ao mundo que habitam, sem se poderem alçar a planos mais evoluídos. Alguns chegam a confundir seu perispírito (de tão grosseiro que é) com o corpo material e podem experimentar sensações comparáveis às do frio, calor, fome, etc.
Os espíritos superiores, ao contrário, podem livremente ir a outros mundos, fazendo mutações em seu perispírito, para adapta-los ao tipo fluídico do mundo aonde vão.

Livros consultados:
De Allan Kardec:
- “A Gênese, caps, VI, XI e XIV:
- “O Livros dos Espíritos”, perguntas 93-95, 150-152, 155, 186-187;
- “O Livros do Médiuns”, cap. I.
De Leon Denis:
- “Depois da Morte, cap. XXI.

Extraído do Livro Iniciação ao Espiritismo.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

COMO ENTENDER?

Prezados visitante:
Gostaria de fazer um comentário, é sobre a Biblia. Ela é considerada por muitos como a Palavra de Deus, foi inspirada diretamente por Ele.
Mas sem querer zombar e nem desprezar, apenas analisar com a razão que Deus nos concedeu, vejamos o seguinte:
Bem nela diz que Elias, foi arrebatado em carne, osso e sangue (enfim não passou pela morte), aos céus, mas nela também diz que o sangue e a carne não podem herdar o reinos dos céus. Se diz também que a carne de nada serve.
Então como conciliar isso?

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

AÇÃO DOS ESPÍRITOS SOBRE OS FLUIDOS

Os espíritos vivem numa atmosfera fluídica (de fluídos).
Dela extraem o que lhes é necessário e agem sobre os fluídos do seu ambiente. (Comparativamente: na Terra estamos envoltos pela atmosfera e vivemos em meio a substâncias materiais, que usamos e sobre ela agimos).
Agindo sobre os fluídos, os espíritos influem: sobre si mesmos e sobre os outros espíritos: sobre o mundo fluídico e sobre o mundo material.
Como agem?
É com o pensamento e a vontade que o espírito age sobre os fluídos.
Ele dirige os fluídos, aglomera-os, dá-lhes forma, aparência, cor e pode, até, mudar suas propriedades.
É a grande oficina ou laboratório da vida espiritual.
A ação dos espíritos sobre os fluídos pode ser inconsciente porque basta pensar e sentir algo para causar efeitos sobre eles.
Mas também pode o espírito agir conscientemente sobre os fluídos, sabendo o que realiza e como o fenômeno se processa.
Qualidade dos fluídos
Os fluídos em si são neutros. O tipo dos pensamentos e sentimentos do espírito é que lhes imprime determinadas características.
Fluídos bons são resultantes de pensamentos e sentimentos nobres, puros.
Fluídos maus são resultantes de pensamentos e sentimentos inferiores, incorretos, impuros.
Os fluídos iguais se combinam; os fluídos contrários se repelem; os fracos cedem aos mais fortes; os bons predominam sobre os maus.
Os fluídos se reforçam em suas qualidades boas ou más pela reiteração do impulso correspondente que recebem dos espíritos.
As condições criadas pela ação do espírito nos fluídos podem ser modificadas por novas ações do próprio espírito ou por ações de outros espíritos.
Efeitos no perispírito e no corpo
O perispírito absorve com facilidade os fluídos externos porque tem idêntica natureza (também é fluídico).
Absorvidos, os fluídos agem sobre o perispírito, causando bons ou maus efeitos, conforme seja a sua qualidade.
No caso de um espírito encarnado (como nós) o perispírito, por sua vez, irá reagir sobre o organismo físico, com o qual está em completo contato molecular. E, então:
- se os fluídos forem bons, produzirão no corpo uma impressão salutar, agradável;
- se forem fluídos maus, a impressão é penosa, de desconforto.
Se a atuação de fluídos maus, for insistente, intensa e em grande quantidade, poderá determinar desordens físicas (certas moléstias não tem outra causa, senão esta).
Os bons fluídos, ao contrário, podem curar.
Aura
Com os seus pensamentos e sentimentos habituais, o espírito (encarnado ou não) influi sobre os fluídos do seu perispírito e lhes dá características próprias. Está sempre emanando esses fluídos, que o envolvem e acompanham em todos os movimentos.
É a sua aura, a sua “atmosfera individual”.
Na aura do encarnado, a difusão dos campos energéticos que partem do perispírito envolve-se com o manancial de irradiações das células do corpo. NO desencarnado, a aura é resultante apenas das emanações perispirituais.
Conforme o tipo fluídico, as auras se harmonizam ou se repelem.
Sintonia e brecha
Pelo modo de sentir e pensar:
- estabelecemos um ajuste de comprimento de onda vibratória entre nós e os que pensam e sentem igual a nós; ou seja, entramos em sintonia com eles;
- produzimos um certo tipo de fluídos e os espíritos que produzam fluídos semelhantes poderão, então “combinar” seus fluídos com os nossos, pois estabelecemos afinidade fluídica.
Quando oferecemos sintonia e combinação de fluídos para o mal, dizemos que estamos dando “brecha” aos espíritos inferiores.
Vigilância e oração evitam ou corrigem a influência negativa de outros sobre nós ou de nós sobre outrem (aliás é um conselho de Jesus – Orai e Vigiai).
O passe
É uma transmissão voluntária e deliberada de fluídos benéficos, de uma pessoa para outra.
Seu efeito é:
- bom, quando o paciente está receptivo e assimila bem os fluídos transmitidos; daí a necessidade de um preparo prévio da mente, da fé e da oração para estar apto a receber bem o passe;
- duradouro, quando o paciente mantém (pela boa conduta, pensamento e sentimento) o estado melhor que alcançou com o passe.
Se a pessoa não modificar para melhor o seu modo de agir, voltará a sofrer desgaste fluídico e desequilíbrio espiritual. “Não peques mais, para que não te suceda algo pior”. (Jesus, Jô. 4:14.)
Não é justo que fiquemos recebendo passes, que o próximo de boa vontade nos dá, e gastando essas forças, sem responsabilidade, sem nos esforçarmos por manter equilíbrio físico e moral.
Só devemos pedir passe quando não pudermos, por nós mesmos, pelos nossos pensamentos e vontade, prece e atos bons, produzir fluídos melhores para nós mesmos.


Livros consultados:
De Allan Kardec:
- “A Gênese”, cap. XIV, itens 13 a 21.
De André Luiz:
- “Missionários da luz”, cap. XIX.


Extraído do livro Iniciação ao Espiritismo.

Tudo é possível àquele que crê


Tudo é possível àquele que crê
Você é uma pessoa otimista? Acredita que tudo pode se resolver com esforço, calma e perseverança?

Ou você já desacredita de muitas coisas? Acha que existem muitas situações contra as quais não adianta lutar?

O Apóstolo Marcos registrou em seu Evangelho que tudo é possível ao que crê. Será mesmo?

Narra uma antiga lenda que, na Idade Média, havia um homem extremamente religioso. Pois aconteceu que um crime bárbaro agitou a cidade. Uma mulher fora brutalmente assassinada.

O autor era uma pessoa influente do reino. Por isso mesmo, logo se tratou de procurar alguém em quem pudesse ser colocada a culpa.

O homem religioso foi o escolhido e levado a julgamento. Ao ser preso, ele pressentiu que não poderia se salvar. Seu destino seria a forca. Tudo conspirava contra ele.

Sabia que o desejavam culpar. O próprio juiz estava com tudo acertado para simular um julgamento e o condenar.

Resolveu orar, rogando socorro e inspiração para enfrentar o interrogatório e sair-se bem.

Em certo momento, o juiz lhe propôs o seguinte: Por ser um homem de profunda religiosidade, vou deixar que o Senhor Deus decida o seu destino.

Vou escrever em um pedaço de papel a palavra “culpado” e em outro a palavra “inocente”. Você sorteará um dos papéis. O que você escolher, será o seu veredito. Deus decidirá a sua sorte.

O pobre homem suou frio. De imediato ele percebeu que uma armadilha lhe estava sendo preparada. Naturalmente, o juiz, que o desejava condenar, prepararia os dois papéis com a mesma e única palavra: culpado.

Como ele poderia se salvar? Não havia alternativa. Nenhuma saída.

O juiz, finalmente, colocou os dois papéis sobre a mesa e mandou o acusado escolher um deles. Um enorme silêncio se fez na sala.

Podia-se ouvir a respiração acelerada do acusado. Todas as cabeças presentes se voltavam para ele, à espera da sua escolha. Sua decisão.

O homem pensou alguns segundos. Depois, aproximou-se confiante da mesa, estendeu a mão e pegou um dos papéis. Rapidamente o colocou na boca e o engoliu.

Os presentes ao julgamento reagiram indignados com a atitude dele.

Como saber agora qual o seu veredito?

Simples, respondeu ele. Basta olhar o outro pedaço de papel. O que sobrou em cima da mesa. Naturalmente, aquele que eu engoli é o contrário.

Imediatamente, o homem foi libertado.
* * *
A esperança sempre acalma o desespero e contorna a dificuldade. A sua voz nunca pára de cantar. A sua música abençoada luariza a noite do sofrimento, acalmando o infortúnio.

Ninguém consegue avançar, nos caminhos rudes da vida, sem a sua presença.

Ninguém a pode dispensar.

Onde quer que apareça, a esperança altera a paisagem, inspirando coragem, tudo embelezando com cor, perfume e beleza.


Redação do Momento Espírita com base em história de autoria ignorada e no cap. 19 do livro Perfis da vida, pelo Espírito Guaracy Paraná Vieira, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal. Em 05.01.2009.